segunda-feira, 23 de março de 2009

Políticos querem gabinete na prisão

Sempre acompanhei a atuação dos representantes goianos em Brasília, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, e quem sempre me chamou a atenção por sua conduta parlamentar foi o senador Demóstenes Torres (DEM). Durante esses sete anos e três meses de mandato, sempre assisti o democrata atuar de forma coerente e equilibrada, cobrando o fim da impunidade e buscando saídas para um Brasil menos corrupto.

Até nos momentos em que seu partido promoveu uma oposição desequilibrada, Demóstenes manteve o equilíbrio, garantindo para o senador uma credibilidade nacional que infelizmente não é divulgada na mídia goiana. Demóstenes alcançou um patamar de credibilidade que há muito tempo um parlamentar goiano não chegou a ter no cenário nacional.

Sua ascensão à presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais poderosa da Câmara Alta, seria a consagração de seu mandato e a pavimentação para uma reeleição tranqüila. Mas aconteceu o contrário; na última semana o senador Demóstenes Torres aprovou em regime de urgência um projeto de lei que, se fosse elaborado de forma correta, seria um verdadeiro golpe na corrupção, fechando seu mandato com chave de ouro.

Trata-se da lei que acaba com o direito de cela especial para as pessoas com curso superior, padres, pastores, bispos evangélicos e pais-de-santo, além de cidadãos com títulos recebidos pela prestação de relevantes serviços. Até aí, tudo normal, já era hora, o benefício da cela especial é o maior incentivo à corrupção criado no planeta, prevalecendo a lógica que no Brasil o ladrão “graduado”, quando cumpre pena, fica recluso em uma cela que mais parece um quarto de hotel, diferentemente do inferno que o restante da população carcerária vive nas prisões brasileiras.

Mas para o desespero da maioria do povo brasileiro que não aguenta mais ouvir falar em corrupção, impunidade e escândalos envolvendo dinheiro público, que sonha com um país onde a viúva não seja surrupiada como é hoje, o senador Demóstenes Torres surpreendeu negativamente. Manteve no texto o benefício de prisão especial para ministros de Estado, governadores, prefeitos e parlamentares, abrindo assim uma brecha para que os políticos corruptos levem seus luxuosos gabinetes para as celas especiais na cadeia.

Infelizmente o senador Demóstenes não percebeu que a cadeia é a única saída para colocar um ponto final no estado de putrefação que a nação brasileira atravessa. Só o medo de ficar atrás das grades promoverá a moralização de setores da máquina pública brasileira. Leis como a da cela especial e do foro privilegiado são verdadeiras aberrações que legitimam o clima de impunidade em nosso país. As extinções dessas leis seriam o primeiro passo para um Brasil menos promíscuo . Os corruptos pensariam duas vezes antes de passar a mão na viúva.

por:Alexandre Braga

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