segunda-feira, 23 de março de 2009

Alexandre e Anna Carolina devem ir a júri popular

Decisão vai ser anunciada ainda esta semana.
Há um ano o Brasil parou para acompanhar uma história triste: a morte da menina Isabella Nardoni, de cinco anos. Hoje o Brasil pergunta: por que os dois acusados - o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, e a madrasta Anna Carolina Jatobá, ainda não foram julgados? Em que pé está o processo? Como os dois vivem na cadeia? A reportagem é de Valmir Salaro.

Um dos últimos momentos em que a família Nardoni esteve toda reunida foi durante uma reportagem do Fantástico. Imagens inéditas mostram Alexandre, Anna Carolina Jatobá e os dois filhos do casal. A gravação foi no dia 20 de abril do ano passado, quando o pai e a madrasta de Isabella falaram com exclusividade ao Fantástico.

Dezessete dias depois, a Justiça aceitou a denúncia contra Alexandre e Anna Carolina. Os dois foram presos, acusados de matar a filha de Alexandre, Isabella, de 5 anos. Esta cena nunca mais se repetiu.

Para o Ministério Público, esse período de um ano entre o assassinato de Isabella, no dia 29 de março, até hoje, serviu para aumentar a convicção de que o casal é culpado.

"A prova que eu possuía quando propus a ação penal foi encorpada com o que obtivemos em juízo", garante o promotor de Justiça Francisco Cembranelli.

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá aguardam o julgamento - que ainda não tem data definida - em cadeias da cidade de Tremembé, no interior de São Paulo. O pai de Isabella está preso há 11 meses em uma penitenciária. E a madrasta, no presídio feminino, a cerca de três quilômetros de distância.

Informações obtidas pelo Fantástico revelam que Alexandre Nardoni fica numa cela de 24 metros quadrados, com mais quatro presos. A mesma situação de Anna Carolina Jatobá, que é acusada de esganar a enteada. Na penitenciária, ela frequenta os cultos evangélicos e ajuda na limpeza.

Alexandre - que segundo a polícia, jogou a filha pela janela - chegou a participar das aulas de música, mas desistiu. Na maior parte do tempo, ele assiste televisão.

"Estão até bem integrados à rotina carcerária. Demonstra até um certo conformismo com a situação", comenta o promotor de Justiça Francisco Cembranelli.

A informação é que, na cadeia, Alexandre e Anna Carolina receberam uma única visita dos filhos. O casal reclama que sente muita saudade dos meninos. Procurado pelo Fantástico, o pai de Alexandre, o advogado Antonio Nardoni, preferiu não gravar entrevista. Mas disse que os netos, atualmente com 4 e com 2 anos, choram quase todos os dias desde que se separaram dos pais.

Desde a prisão, os advogados de defesa tentam conseguir um habeas corpus, para que o casal pudesse responder ao processo em liberdade. Todos os pedidos foram negados sucessivamente. Primeiro, no Tribunal de Justiça de São Paulo. Depois, em Brasília: no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal, a instância máxima do Poder Judiciário brasileiro.

"Seriam levados a julgamento no início do ano, não fosse o recurso interposto pela defesa", diz o promotor de Justiça Francisco Cembranelli.

Nesta semana, o Fantástico procurou os advogados do casal, mas nenhum quis gravar entrevista. A estratégia é manter o silêncio, às vésperas de um momento considerado crucial pela defesa.

Uma das decisões mais importantes do processo vai ser anunciada nesta terça-feira (24), na sala do tribunal de Justiça de São Paulo. Os desembargadores vão julgar se Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni devem ou não ir a júri popular. Os advogados de defesa alegam que o pai e a madrasta de Isabella Nardoni são inocentes e que não existem provas concretas contra os dois.

Segundo juristas, pelo andamento do processo e pelas decisões anteriores, dificilmente o casal vai se livrar de ficar frente a frente com os sete jurados, que compõem o tribunal do júri. Os nomes dos jurados são definidos por sorteio.

"O jurado tem um poder tão grande, tão amplo, que ele decide de acordo com a consciência dele", aponta o juiz do Tribunal de Justiça/SP Richard Chequini.

Os advogados de defesa ainda podem entrar com outros recursos na Justiça. Mas, o Ministério Público tem uma previsão: acredita que o pai e a madrasta de Isabella sejam julgados no início do segundo semestre ou, no máximo, até o começo do ano que vem. Se condenados, a pena deve passar dos 12 anos de prisão.

"A ideia continua a mesma, de levá-los a julgamento, objetivando uma decisão compatível com o interesse social. Acredito que eles serão condenados por unanimidade", diz Francisco Cembranelli

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